Após o jantar, passearam por aquele passadiço de madeira até que, chegados ao fundo, junto do último bar-restaurante, já encerrado, ficaram encostados na balaustrada, virados para a praia. Em silêncio. Quando o diálogo foi retomado, o tom de voz tornara-se mais íntimo, mais baixo. As mãos tocaram-se e os olhares cruzaram-se. Foi inevitável o aproximar das bocas, o toque dos lábios. Iniciativa dela. O beijo. O toque tímido e carregado de desejo.
Frases do passado soavam na memória dela.
‘Fazer-te sentir o meu corpo no teu!’
‘De te acariciar a ponta das tuas orelhas e pescoço com os meus lábios’
Apesar de ter tomado a iniciativa do beijo, ela tremia por dentro. De antecipação, de vontade de estar cada vez mais perto dele. As trocas de olhares tinham dado o incentivo para avançar com uma coragem que não sabia onde tinha ido buscar. Mas notava-o a ele ainda mais tímido que ela. Seria? Nunca lhe parecera assim nas várias vezes que haviam se falado.
‘Olha para mim’ – pediu-lhe baixinho.
Encostaram corpos. Deslizaram mãos.
Tocaram peles. Satisfizeram vontades.
E as memórias dela de novo.
‘Tive um sonho contigo durante breves minutos em que adormeci, atravessada na cama. Apesar do vento, nesse dia estava com um sorriso de orelha a orelha.’
‘Apetecia-me experimentar coisas novas contigo’.
Saíram da praia e entraram no carro dela, rumo a um espaço só deles, onde poderiam dar continuidade ao que as suas imaginações haviam percorrido durante aqueles meses.
Desejos, fantasias. Pontos fracos.
‘A tua voz que sussurra no meu ouvido arrepia-me’
‘Se me queres deixar maluco é falares em… mãos na parede… e…’
O fim, apenas a eles coube decidir.
Ou a mim.
Uma história. Um conto. Imaginação. Inspiração.
Não cheguei a dizer a praia?
Não importa agora. Foi um dia que ele chamara de ‘ideal’.
Ficção ou realidade?
‘Uma história por escrever’ poderia ser uma história real. Alguns de vocês poderão ter-se questionado se o foi ou não. É apenas ficção.
Ter catalogado na Categoria ‘Contos’ foi propositado.
O nome dela é Luiza. O dele posso inventar o que quiser.
Porque não D. de Domingos? Ou de Daniel? Ou ainda de abreviação de Rodrigo?