Eu estava caminhando em uma praia, uma noite sem lua, breu.
Sob os pés sentia a areia fina, e no ar, o cheiro da maresia.
As ondas repousavam na areia mansamente, mas eu apenas as escutava.
Minha única certeza, é que não podia deixar de seguir em frente, mesmo não enxergando nada, mesmo sentindo medo.
Até que senti alguém. Um homem. Caminhava comigo e não dizia nada, mas eu sentia toda a força de sua presença.
Ora mais perto, ora mais longe, mas sempre ali.
De repente ele pegou minha mão e um calor gostoso percorreu meu corpo. Uma sensação de segurança. Mesmo sem saber quem era, mesmo sem ver o rosto, me sentia segura.
Ele me levou até o mar e senti as ondas mornas morrerem sob meus pés. Uma sensação gostosa.
E eu que estava tolhida da minha visão, fiquei com meus outros sentidos muito mais apurados.
Então ele me levou de volta à areia seca, soltou minha mão e se afastou.
Isso se repetiu algumas vezes, ora no mar de mãos dadas, ora de volta à areia, sozinha.
Não entendia porque ele fazia isso, mas eu também não ousava perguntar.
Seguimos assim, durante um bom tempo.
O dia começou a surgir no horizonte.
Eu de mãos dadas com ele, não virei em nenhum momento para ver-lhe o rosto. Estranhamente a sensação que ele me passava, era maior que minha curiosidade.
Fechei os olhos, tentando fazer voltar aquela sensação de antes.
Foi nessa hora que ele me roubou um beijo e tornou a beijar… e beijar.
Foram beijos urgentes, exigentes. Beijos de promessas e despedidas.
Assim ele se foi e eu continuei de olhos fechados.
Não me permiti vê-lo partindo…
Soℓ