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madrugada2[1]Eu estava caminhando em uma praia, uma noite sem lua, breu.

Sob os pés sentia a areia fina, e no ar, o cheiro da maresia.

As ondas repousavam na areia mansamente, mas eu apenas as escutava.

Minha única certeza, é que não podia deixar de seguir em frente, mesmo não enxergando nada, mesmo sentindo medo.

Até que senti alguém. Um homem. Caminhava comigo e não dizia nada, mas eu sentia toda a força de sua presença.

Ora mais perto, ora mais longe, mas sempre ali.

De repente ele pegou minha mão e um calor gostoso percorreu meu corpo. Uma sensação de segurança. Mesmo sem saber quem era, mesmo sem ver o rosto, me sentia segura.

Ele me levou até o mar e senti as ondas mornas morrerem sob meus pés. Uma sensação gostosa.

E eu que estava tolhida da minha visão, fiquei com meus outros sentidos muito mais apurados.

Então ele me levou de volta à areia seca, soltou minha mão e se afastou.

Isso se repetiu algumas vezes, ora no mar de mãos dadas, ora de volta à areia, sozinha.

Não entendia porque ele fazia isso, mas eu também não ousava perguntar.

Seguimos assim, durante um bom tempo.

O dia começou a surgir no horizonte.

Eu de mãos dadas com ele, não virei em nenhum momento para ver-lhe o rosto. Estranhamente a sensação que ele me passava, era maior que minha curiosidade.

Fechei os olhos, tentando fazer voltar aquela sensação de antes.

Foi nessa hora que ele me roubou um beijo e tornou a beijar… e beijar.

Foram beijos urgentes, exigentes. Beijos de promessas e despedidas.

Assim ele se foi e eu continuei de olhos fechados.

Não me permiti vê-lo partindo…

Soℓ

                               

(…)
- Não digas nada.
Ele não disse.
E ela optou por esquecer que tinha acabado de o conhecer e tocou-lhe o peito, aproximando o corpo do dele, pedindo em silêncio um beijo, mais outro…  e outro.
Os beijos deram lugar à pressão suave das mãos sobre o corpo feminino, ao entrelaçar de pernas, enquanto os corpos se estendiam no chão, alheios aos grãos de areia que se agarravam à pele que se ia descobrindo à medida que a paixão aumentava o fogo do desejo e a necessidade de sentir pele contra pele. Minutos depois, Joana protestou pela agressiva fricção da areia debaixo de si.
- A areia…
Ao ouvir o balbuciar dela, Tiago ergueu-se e, puxando-a por uma mão, subiu para uma parte plana da rocha, onde tirou o blusão que colocou no chão, antes de se sentar sobre ele. Puxou-a para si fazendo com que se sentasse no seu colo, ela envolvendo sua cintura.
Pressionando-se contra o peito masculino, Joana sentia as ondas de prazer subirem pelo seu corpo, enlouquecendo seus sentidos, aniquilando qualquer resquício de racionalidade. Já nada poderia fazer a não ser deixar-se levar por aquele doce desconhecido que o mar lhe havia trazido naquela tarde.
Queria senti-lo, desejava que ele a preenchesse com o seu corpo. Sentiu as mãos dele desapertarem o casaco de malha, enquanto os lábios passeavam entre o pescoço e o colo, delineavam o queixo, subiam à sua boca e resvalavam até ao lóbulo da orelha. As mãos dele apertavam seu corpo, enquanto a boca acolhia um dos seios, delineando-o com a língua quente, fazendo-a arrepiar ao sentir o contato quente na pele.
Suspiro dela.
E, como se tivessem vida própria, os dedos femininos deslizaram pelo abdômem masculino, descendo e aproximando-se da cintura das calças que desapertou para darem espaço à curiosidade de sentir na palma da mão o desejo dele, imponente, revelador.
Suspiro dele.
As mãos deslizavam inquietas, sentindo o calor que se soltava da carne masculina, conhecendo cada centímetro de pele, tocando cada pulsar de desejo.
O barulho das ondas contra as rochas de uma maré que subia, fechava-os num planeta de apenas dois habitantes. A brisa que lhes açoitava a pele suada não era mais que o eco do tesão que os alucinava.
Rod brincava ao longe, saltando entre a espuma das ondas que vinham beijar a praia, como se adivinhasse que aquele momento era íntimo demais para ter a sua presença. As roupas ficaram esquecidas e os corpos nus dançavam, entrelaçados, nadando em prazer, suspiros e gemidos que se cruzavam nas bocas coladas que se envolviam na doce tortura de mais um gesto. As mãos pressionavam-se entre si, na força da tempestade que se aproximava, a força do desejo intensificava-se.
Os corpos envolvidos na nuvem voluptuosa da luxúria. Movimentos mais rápidos, mais lentos, mais rápidos de novo. O gemido. O suspiro. Permaneceram abraçados, ela entrelaçada no suor dele, aspirando o perfume do amor ali feito. Olharam-se e trocaram mais um beijo, de lábios trémulos, suavidades extremas, dedos que afloravam delicadamente peles úmidas. (…)

 Minha vida ali mudará. Tu, sentada no banco de trás do carro e eu, como é obvio, conduzia  meu Renault 16 que tinha acabado de comprar. Novo? Nem pensar nisso! Mas de  segunda mão com um ano e meio de serviço. Não te conhecia bem,  sabia que eras casada, seis meses apenas. Em certo momento, vi que os teus olhos se dirigiam a mim via retrovisor. Vi que esses olhos me enviavam uma mensagem de  desejo. Eu já tinha experiêcia de vida e esse olhar não me enganou. Eu tinha 41 anos e tu 19, cheios de juventude, esperança e vontade de viver. Com os olhos marcamos encontro e foi o começo de uma nova era, uma nova vida para os dois. O amor entre nós foi uma exigência, o nosso primeiro encontro foi uma doidice. Tu não acreditaste em tudo o que eu te dizia. Fomos para Paris, essa linda cidade Luz que iluminou nossos sentimentos. Na diferença de idades não havia problema e passamos o tempo a amar, era o nosso tema. A vida continou, com altos e baixos, mas o nosso amor corria como ondas mansas de um riacho. Sempre fomos felizes, antes nunca o tinha sido. Foram anos sem amor, foi tempo perdido sem você. Hoje a minha saúde não me ajuda, meu coração está mais doente do que nunca, tento resistir, quero que tu me acompanhes ainda por muito tempo, mas nosso amor… esse, continua como no primeiro dia! Já não é louco como o era antes, é com mais saber, amantes felizes da nossa vivência, felizes como somos, nossos beijos têm mais sabor saídos do forno onde preparamos durante muitos anos e hoje bem quentinho é servido com primor.

Nossa história… quando se ama a idade não conta!

A. da Fonseca

Este texto me chamou a atenção pela forma com que ele priorisou os sentimentos, sem nenhuma outra preocupação. Acredito que o homem inventou a idade, tendo a intenção de aprisionar o tempo… tolo do homem. O tempo é livre, ele vaga sem fronteiras, não está preocupado se é cedo ou tarde. O homem sim, sempre preocupado com o passar das horas, minutos e segundos, não percebe que assim ele se perde,  deixando de viver …

O tempo que chamamos de “idade” é um estado de espírito, pode estar perto ou longe de nós.

Soℓ

 Quando seu corpo de leve no meu se apoiou,
Quando seu desejo latente me tocou,
Vibrei de ternura e paixão…
O fogo que estava em meus olhos, derramou-se pelo corpo afora e cada partícula gemeu de prazer.
O céu uniu-se com a terra e, como respingos de chuva seu suor escorreu molhando meu corpo…
Provei suavemente gota por gota desta chuva incandescente que escorrendo sobre nós trouxe um mundo de prazer.
Nossos corpos escorregaram em busca do âmago profundo.
Num gemer bem manhoso, sons desconhecidos, vibrei no abraço, apertei-o na entrega sentindo o poder.
E num delírio só nosso me preencheu com amor, no espasmo final nos olhamos, sorrimos e tudo emudeceu.

Soℓ

 Pegou o telefone mais uma vez e respondeu-lhe o sms. De uma semana para cá ele não parava de provocar com insinuações que a faziam arrepiar. Ele tentava-a e ela sabia que aquele homem era demasiado perigoso para a sua sanidade mental. Mesmo com essa certeza, não conseguia deixar de lhe responder ao mesmo nível das suas provocações. Tentando-o num jogo de sedução que se sabia experiente.

No final, qual dos dois seria o seduzido?

Hesitava encontrar-se com ele. Sabia que conhecê-lo pessoalmente, encontrar-se perante o seu olhar, seria a capitulação do desejo que a consumia há semanas.

A insistência masculina para se encontrarem começava a dar frutos e a resistência ia-se perdendo a cada mensagem, ou de cada vez que lhe escutava a voz. Temia não ser capaz de resistir aquela atração que ele lhe fazia sentir. Quase que se imaginava vê-lo e a colar-se ao seu corpo, beijando-o sem lhe dar tempo a falar.

Que tinha este homem para a deixar nesta tremula de desejo?

‘Esta noite é a ideal, deixa-me ir ter contigo. Vou onde quiseres que vá’.

Leu aquele sms dezenas de vezes. Já havia recebido há uma hora e não lhe tinha dado resposta. Poderia ser na noite seguinte em que iria para Lisboa. Seria a noite de Santo Antônio. Mas não. Ele queria naquela noite. Num impulso carregou nas teclas e seguiu a opção responder:

‘Sim, vem’

Estava feito. Não voltaria atrás.

Largou o telefone e foi tomar um banho. Vestiu-se de modo simples: calças e uma blusa branca. Caprichou na lingerie: preta, porque sabia que era a cor que ele adorava. Sandálias de salto alto, relógio e uma pulseira completaram o visual. Os cabelos? Soltos, como ele apreciava.

Curioso o fato de saberem tanto um do outro sem nunca se terem visto a não ser em fotografias.

Como seria o encontro?