Arquivo de Tags: Letícia Thompson

O que torna os amores impossíveis mais bonitos é justamente a impossibilidade.

A impossibilidade atrai.

A dificuldade nos impulsiona, nos motiva. Exatamente como o perigo.

As pessoas gostam de se medir às dificuldades porque têm necessidade de provar que são mais fortes. Assim, quanto mais difícil, mais o amor parece ser grande, excepcional e único. E quem não quer viver algo grande, excepcional e único?!

Num amor impossível cabem todos os sonhos, todas as perfeições, o mínimo detalhe é idealizado. Colocamos na nossa cabeça que aquela pessoa é exatamente o que esperamos da vida, mesmo se tudo parece contra. Ele fica para sempre, mesmo se outros amores vêm e vão depois… e deixa aquela sensação de inacabado que nos persegue.

Creio que no quebra-cabeças da vida é aquela pecinha que fica faltando para completar o todo. E mesmo que as outras peças estejam lá, é aquela que falta, só aquela que deixa uma dorzinha estranha que a gente não sabe definir, mas que sente de forma tão nítida e clara.

Acontece de um amor impossível tornar-se possível e isso quase sempre aumenta  a magia do sentimento.

Um amor impossível pode marcar uma pessoa mais que toda uma vida vivida ao lado de outra.

E no outono da vida, quando o passado se faz mais presente que o próprio presente, é aquele amor que vai fazer brilhar os olhos e lembrar ao coração que ele ainda bate.

O impossível é belo!… como o arco-íris, o horizonte, o céu, o infinito!… que mantém acesa a chama no coração do homem e o faz sentir-se vivo.

Todos temos necessidade de afeto. Muitas vezes temos dificuldade em expressar o que sentimos pelas pessoas, achamos que elas sabem e que isso é suficiente.

 Mas quem não gosta de um abraço, um carinho, uma palavra amiga, uma palavra de amor? Quem não precisa disso?

Há pessoas morrendo de fome no mundo, todos falam, mas quantas pessoas há que estão morrendo de solidão?

Recebo com muita frequência mensagens dizendo que devemos dizer às pessoas o quanto as amamos porque nunca sabemos se é a última vez que as estamos vendo.

Isso é para aliviar nossa consciência no caso das pessoas desaparecerem repentinamente.

Mas eu digo que devemos dizer às pessoas que as amamos como se fôssemos encontrá-las na manhã seguinte, como se fôssemos encontrar um sorriso de volta, ou ver um brilho todo especial provocado por nós.

Um dos maiores prazeres da vida é ver a felicidade das pessoas que amamos.

Há alguns anos escrevi uma frase para uma das minhas amigas num momento em que ela não estava bem. Essa frase dizia assim: “Não fique triste. Se você fica triste, fico triste. E eu não gosto de me ver triste…” Ela sorriu.

E nessa frase aparentemente egoísta eu acabei dizendo uma grande verdade.

Sim, porque no fundo se não fazemos as pessoas felizes por elas mesmas, que as façamos então por nós.

Podemos saber que alguém nos ama e isso nos deixa feliz, mas como expressar o tamanho da felicidade que sentimos quando alguém coloca isso em palavras, em gestos?

Isso faz com que nos sintamos amados em dobro, em triplo até.

Assim, é importante que as pessoas saibam o quanto importantes são em nossas vidas, o quanto nosso dia pode ficar iluminado com um sorriso ou um gesto inesperado.

Saber que alguém pensa na gente, que nos gosta apesar da distância, do mau-humor, dos nossos defeitos, enche a alma de paz, de serenidade…

É como um pouco de ar fresco numa janela quando precisamos respirar. Renova o espírito!

E de espírito renovado como o dia pode ficar diferente, como o mundo pode parecer diferente!

Essa é minha pequena lição de hoje. Não a que dei, mas a que aprendi.